/ HISTÓRIA COMPLETA

Quem é Thiago Bersou

Ex-Guinness · Brand Strategist

/ MANUAL

Quem é Thiago Bersou

Thiago desconfia do briefing como peça final. O reflexo dele é dar um passo para trás, abrir o mapa e perguntar onde está a trava real: na categoria, no comportamento, na cultura interna, na forma como a empresa enquadrou o próprio problema.

Ele é o tipo de estrategista que muda a pergunta da sala. Antes de responder ao que foi pedido, investiga por que aquilo foi pedido daquele jeito. No vocabulário dele, agência demais responde ao "afterthought do problema". Ele prefere começar antes.

Quando entra num projeto, mobiliza repertório sob demanda — futebol africano e semiótica lacaniana podem aparecer no mesmo briefing. Age com gesto concreto antes de qualquer discurso: a Claro comprou portabilidade.com.br antes da campanha ir ao ar. O Guinness Football Manager rodava no Nokia antes de qualquer deck.

"The hardest job I ever had was trying to define myself as a professional."

Which is ironic for someone who makes a living telling brands what they should say. — LinkedIn

O QUE ENERGIZA

Brief "gordinho" sem hierarquia. Transformar restrição em vantagem criativa. Trabalho com começo, meio e fim. Quando o gut diz "é isso".

O QUE DRENA

Gestão por comitê. Stakeholder politics que sufocam a ideia antes de nascer. IAT meetings onde se está checando boxes, não resolvendo problemas.

COMO DECIDE

Mistura dado com intuição. "Dado é springboard para a criatividade, não justificativa de coerência." Escreve em prosa antes de montar o deck.

ONDE PERFORMA

Problemas sem nome ainda. Startups que precisam de posicionamento antes de escalar. Founders e C-levels com quem pode ter conversa franca. Estruturas onde a decisão não é por comitê.

REFERÊNCIAS

Arquétipos de Jung. Tipping Point (Gladwell). Michael Singer. Anaïs Nin. "Stories are the closest man can get to explain man himself" — Clovis Pereira (mentor).

PRÊMIOS

Clio Award (Nike · República Popular do Corinthians) · Brazil Digital Award Gold 2007 — Best Use of Digital Game (Tilibra).

/ TRAJETÓRIA

20+ anos. Três continentes. Zero linearidade.

Da Unilever em São Paulo ao Edelman em Miami, passando por agência própria, África e Londres. Cada movimento como transferência de método — não como reinvenção.

2000–2001 · São Paulo

Origem

A escola — e a primeira ideia bloqueada

Trainee da Unilever. Em 2000, 90% das ideias do grupo apontavam para D2C. Os gestores bloquearam tudo. 18 anos depois, virou mainstream.

Por que algumas ideias se espalham e outras morrem no inbox?

Unilever

2002–2006 · São Paulo

Brand Manager

Brand Manager — Pernod Ricard

Gerenciou Orloff Vodka e o portfólio de whiskies. Em 2005, relançou três marcas simultaneamente e cortou o prazo de 18 para 6 meses.

A restrição não foi problema — foi método. O padrão de comprimir ciclos em sprints começa aqui.

Pernod Ricard

2006–2008 · Brasil

E-pidemic

A primeira aposta — a agência que não deveria existir

Aos 27 anos, fundou a E-pidemic — primeira agência de marketing viral da América Latina. Break-even em 1 ano. Brazil Digital Award Gold 2007.

"Fun and painful" — chama de "o momento mais transformador da vida", não de maior sucesso.

E-pidemic

2008–2012 · SP / Londres

F/Nazca · Diageo

F/Nazca, Claro e o passaporte para a África

Na F/Nazca criou a República Popular do Corinthians (Clio Award). Para a Claro, reposicionou a marca na portabilidade. Promoção para Londres na Diageo.

Thiago não usa o cargo formal — usa o relacionamento.

F/Nazca · Diageo

2012–2014 · Londres / África

Diageo · Guinness Africa

Guinness e os mercados sem manual

Nigéria, Gana, Quênia, Uganda, Camarões. Restrição como briefing. Raise Your Game: maior ROI da Diageo. Football Manager: 500K usuários em 6 meses.

"Head of Football — Guinness Africa. One of the most fun times in my career."

Diageo · Guinness Africa

2014–2019 · Londres

Turbulência

A zona de turbulência

Contratos curtos, freelancer, Havas Sports, Imagination como Head of Strategy. Recalibração forçada — descobriu que funciona em sprints, não em estruturas longas.

"Fui muito intempestivo." Reconhece sem romantizar.

Havas · Imagination

2019–2021 · Londres

Speakeasy

Speakeasy — sem hierarquia

Rede de estrategistas sênior operando sem estrutura pesada. Briefs concentrados, decisões sem comitê. O protótipo da estrutura em que rende melhor.

Output dobra quando a hierarquia sai da equação.

Speakeasy

2021–2025 · LA / Miami

VML · Edelman

O mercado americano e o manifesto

VML (Camel Smooth — "Legendary Smooth"), Edelman (White Claw, Degree Walk-Ons — SNL spoof, 3B impressões). Demissão no quarto corte. 2025: manifesto de quem chegou do outro lado.

"Surrender as a strategy" — separação, morte da mãe, demissão.

VML · Edelman

Storyline

A trajetória em profundidade

ORIGEM · 2000–2006

O estrategista que começou como brand manager

O estrategista que começou como brand manager

Thiago começou na Unilever (2000–2001) — a escola de marketing mais rigorosa do Brasil. Em 2000, como trainee, 90% das ideias do grupo apontavam para abordagens direto ao consumidor. Os gestores bloquearam tudo — havia risco para os Key Accounts. 18 anos depois, o D2C virou mainstream. Em 2002, foi para a Pernod Ricard como Brand Manager. Relançou três marcas de whisky simultaneamente em 2005 e cortou o prazo de lançamento de 18 para 6 meses. O crescimento era garantido. Exatamente por isso começou a incomodar. Em paralelo, Orkut e MySpace estavam mudando o comportamento. Thiago ficou obcecado: por que algumas ideias se espalham e outras morrem no inbox?

VIRADA DE CHAVE · 1

E-PIDEMIC · 2006–2008

Criou um mercado que não existia

Aos 27 anos, fundou a E-pidemic — primeira agência de marketing viral da América Latina. Sem aporte, sem sócio experiente, sem cases. Desenvolveu metodologia própria dos quatro pilares de viralidade. Construiu a rede de "Betas" antes de a palavra influenciador existir. Break-even em um ano. Brazil Digital Award Gold 2007. Vendeu 75% da empresa por R$50 mil e saiu. Hoje chama de "o momento mais transformador da vida" — não de maior sucesso. A metodologia dos Alfas e Betas virou o que o mercado hoje chama de marketing de influência.

VIRADA DE CHAVE · 2

F/NAZCA · CLARO · DIAGEO · 2008–2012

Da agência ao lado cliente ao passaporte para a África

Na F/Nazca criou a República Popular do Corinthians (Clio Award). Para a Claro, transformou a portabilidade de ameaça em janela estratégica — a marca saltou de terceira para segunda posição e virou a telecom mais valiosa da América Latina. Na Diageo, promoção para Londres. O padrão se repete: Thiago não usa o cargo formal — usa o relacionamento. Entrou na Claro pelo lado, transformou um brief de varejo em reposicionamento de marca. "Not bad for a retail brief."

VIRADA DE CHAVE · 3

GUINNESS AFRICA · 2012–2014

Mercados sem manual — restrição como briefing

Nigéria, Gana, Quênia, Uganda, Camarões. 130% de penetração de celular, quase tudo analógico, 13% de TV. Sem direitos da Premier League. Sem budget para patrocinar a liga. As restrições eram totais. Thiago decidiu usá-las como briefing. Raise Your Game: 63M de alcance, maior ROI da Diageo em brand content. Guinness Football Manager: fantasy league via USSD, 500K usuários em 6 meses. Saiu numa reestruturação — não por performance, mas por conflito com um diretor que preferia consenso a resultado.

TURBULÊNCIA · 2014–2019

O aprendizado mais caro

O aprendizado mais caro

Contratos curtos, freelancer, Havas Sports (saiu sem nada garantido — "fui muito intempestivo"), Imagination como Head of Strategy. Cada lugar ensinava o que Thiago não queria ser. Recalibração forçada: descobriu que funciona em sprints, não em estruturas longas.

VIRADA DE CHAVE · 4

EUA · 2019–2025

O mercado americano e o manifesto

LA com gêmeos recém-nascidos, renda única, sem rede. Depois VML (Camel Smooth — "Legendary Smooth") e Edelman (White Claw, Degree Walk-Ons — SNL spoof, 3B impressões, maior programa de earned media da história da Degree). Demissão no quarto corte de headcount. Os posts de 2025 são o manifesto de quem chegou do outro lado. Sobre libido criativo. Sobre pertencimento vs. encaixe. Sobre surrender como estratégia. Thiago não está se reinventando — está finalmente operando como sempre quis.

/ Rotina

Um dia com Thiago

(01) ANTES DO RUÍDO

Antes do ruído

Café e leitura — ficção como ferramenta de estratégia. Michael Singer, Anaïs Nin, Myths de Harari. O dia começa antes do ruído.

(02) DEEP WORK

Deep work

2 a 3 horas sem reunião, ping ou distração. Escreve em prosa antes de montar o deck. Respeitar o próprio estilo vale mais que respeitar o relógio.

(03) NÃO NEGOCIA

Não negocia

Pausa. Não negocia o horário de almoço. Desconectar é parte do processo criativo.

(04) CALLS E SESSÕES

Calls e sessões

Calls com clientes e founders. Sessões de posicionamento. Briefs "gordinhos" onde hierarquia não existe por uma hora.

(05) REFLEXÃO E MEDITAÇÃO

Reflexão e meditação

"Isso vem do medo ou da razão? De insight ou de hubris?" Dois anos meditando mudaram como ele entra em reuniões difíceis.

(06) FICÇÃO

Ficção

"Stories are the closest man can get to explain man himself." O pensamento estratégico se alimenta do que não é estratégia.

Valor inegociável

Ele não funciona em estruturas que decidem por comitê. As melhores ideias precisam de patrocinador com coragem, não de aprovação coletiva.

Decisão por comitê dilui a ideia antes de nascer. Precisa de espaço para empurrar limites — e de alguém na ponta do processo disposto a defender a ideia até ela respirar.

"As melhores ideias precisam de patrocinador com coragem. Não de aprovação coletiva."

01

AUTONOMIA CRIATIVA Espaço para empurrar limites. Patrocinador com coragem na ponta — não comitê pulverizando responsabilidade.

02

HONESTIDADE INTELECTUAL Fala dos erros (saída impulsiva da Havas, E-pidemic que fechou) com a mesma clareza que fala dos acertos (Claro, Guinness, Degree Walk-Ons).

03

SPRINT, NÃO MARATONA Projetos com começo, meio e fim. Sem aprovação em cascata. Portfólio career com impacto real.

04

PESSOA INTEIRA NA SALA Trouxe Semiótica Lacaniana para o briefing da Claro. Trouxe meditação para reuniões difíceis. Não separa o profissional do pessoal.

/ COMO FOI CONSTRUÍDO

O que gerou este portfólio

Este portfólio não foi gerado a partir de um currículo. Foi destilado de 39.163 palavras ditas por Thiago Bersou em 315 minutos de conversa gravada, 40 posts curados de 256 analisados, 3 dossiês de case e 96 pílulas assíncronas — pelo programa Discovering Your Impact da NextAct. Cada afirmação está ancorada em algo que ele disse, decidiu ou fez. Cada case é construído a partir de memória real, não de narrativa retroativa.

39k

Palavras em 315 minutos de entrevista

40

Posts LinkedIn curados de 256

96

Pílulas assíncronas (WhatsApp)

20+

Anos de carreira mapeados