/ HISTÓRIA COMPLETA

Quem é Felippe Leite

Gucci · CFO Brasil & Chile

/ MANUAL

Quem é Felippe

Felippe Leite é CFO. Atravessou quatro indústrias em vinte e dois anos — logística → FMCG → beleza/luxo → tech SaaS. Três geografias operacionais (Brasil, México, Espanha). Onze cadeiras em sete casas. Hoje na Gucci (Kering), aplicando o método aos 43 anos, oito anos depois do México.

O método é preciso: nunca dominou o setor; sempre dominou a curiosidade. Em cada cadeira nova, três opções — fingir que domina (e quebrar), recusar o ambiente que não conhece (e nunca atravessar setores), ou admitir e perguntar. Sempre escolheu a terceira. Vulnerabilidade-curiosidade vira ferramenta operacional — capability transferível entre indústrias.

Opera por quatro padrões que se repetem cross-case: confronto com lastro (dado primeiro, opinião depois), aliança lateral (quando o canal oficial não serve), saída em férias (em movimento aguenta; parado decide), família como variável dura.

"Perguntar tudo como curioso. Dentro de cargo que exige responsabilidade."

Frase-âncora escolhida pelo Felippe na revisão da v1 (18/05/2026) — articulada pela primeira vez no Botmaker, hoje aplicada conscientemente na Gucci.

O QUE ENERGIZA

Ambiente com **autonomia leve**, patrocinador presente, espaço para pensar estratégico. Reconhecimento como combustível operacional — não vaidade. As três casas francesas (Danone, Sephora/LVMH, Gucci/Kering) configuram esse ICP profissional consciente: 'empresas francesas têm um perfilzinho ali em que eu me encaixo melhor — autonomia, precisa de ajuda avisa.'

O QUE DRENA

Ambiente **sob demanda sem palco**. Execução pura sem racional. Founders que pedem opinião e ignoram. Vácuo de validação — automotivação tem prazo de validade. Aprendeu no Botmaker, custou 4 anos para cristalizar.

COMO DECIDE

**Confronto com lastro**, sempre. Fotos de loja, planilhas, KPIs documentados antes do 'não'. Quando o canal direto não funciona, busca o lateral — acionou LVMH global contra a operação local do México, com resultado estrutural.

COMO QUER SER LEMBRADO

Como quem **atravessou indústrias sem perder fluência operacional**. Tempo em ondas curtas, não permanência longa — cada parada paga em capital (aprendizado, rede, métrica) para abrir a próxima. 'Tudo que é bom dura pouco, e tem uma recompensa para depois vir outra coisa.'

COMUNICAÇÃO

**WhatsApp como canal primário** para contatos profissionais. Briefing prévio antes de agendar call. Resposta em até 48h em dias úteis — ritmo de quem reporta a duas matrizes simultâneas (Kering França + GM regional).

/ TRAJETÓRIA

22 anos. 4 indústrias. Três geografias.

De estagiário em shipping em 2004 a CFO da Gucci em 2025, passando por Danone, Sephora México, Sephora Espanha e Botmaker. Cross-ocean career com fluência operacional em três mercados.

2004–2006 · Brasil

OrigemShipping

Logística marítima

Estagiário na Hapag-Lloyd virou Tonnage Control Coordinator — controle de cargas e rentabilidade em rotas Europa, com suporte comercial. Depois Commercial Controller na Hyundai/PIL: rentabilidade e controle de espaço semanal, reposição de containers vazios, suporte ao customer service. Saiu sabendo que shipping não era o jogo dele — mas com músculo de planilha sob pressão e foco em margem.

2006–2012 · Brasil

Virada de chave #1Danone

O estrategista nasce

Entrou em Supply Chain Coordinator. Em algum momento recebeu um projeto novo: estruturar exportação de nutrição médica em operação triangular — fábrica na Europa, entrega na América Latina, reconhecimento de receita no Brasil. Três dimensões simultâneas: contábil, logística, margem. Quando foi convidado para virar Latin America Finance Controller, disse para o chefe que não sabia ler um balanço. O chefe respondeu: 'fica tranquilo que a gente vai fazer todas as transições necessárias.' Seis anos depois saiu — porque a estrutura virou ficção.

"Se é para fazer desse jeito, não precisam mais de mim aqui. Precisam de uma pessoa que executa, não uma pessoa que pensa."

2013–2015 · Brasil

AtravessouMAC / Estée

Matricial pela primeira vez

Finance Manager LatAm. Time de 5+. Rede de 80+ lojas. Brand KPIs, Capex para abertura de loja, closing process com HQ global. Primeiro contato com matricial — reporte simultâneo para marca + corporativo. 'Para mim foi um caos, foi um terror. Eu não aguentei ficar muito tempo lá.' Saiu antes de quebrar — mas carregou o lado wholesale, conhecimento que usaria anos depois do lado comprador na Sephora México.

2015–2016 · Brasil

Aprendeu a sairLUSH

Estrutura afundando

Finance Controller. Time de 6. Fábrica + 5 lojas + e-commerce. Operação encantadora, produto que ele admirava, mas estrutura afundando. Construiu frameworks de orçamento e forecast, gestão de tesouraria. Ouviu o headhunter quando o headhunter ligou.

"Saber a hora de sair é uma das coisas que mais me orgulho de ter aprendido."

2016–2021 · Brasil → México → Espanha

Virada de chave #2Sephora (LVMH)

A grande promoção

Cinco anos, quatro cadeiras. Latin America Finance Director em São Paulo → CFO México (primeira promoção, primeira expatriação com a família) → CFO Espanha (chegada em ambiente queimado, atravessou COVID). Foi vista pela chefe direta, GM/presidente Sephora América Latina. Entregou €6,8M em primeiro dividendo à matriz francesa, estoque 240→160 dias, lojas 15→26. A entrega aconteceu. A forma custou.

→ Aprofundado no Case Sephora México

2021–2025 · Brasil

Virada de chave #3Botmaker

Primeira tech sem palco

Director of Finance and Administration. Time de 8+. SaaS de IA conversacional, multi-país: Brasil, EUA, México. Nunca tinha trabalhado em tech. Tornou a vulnerabilidade ferramenta de operação — perguntar tudo como curioso, dentro de cargo que exige responsabilidade. Funcionou. Mas o ambiente sem palco drenou: 'Tudo sob demanda. Não tinha espaço para criação.' Decidiu sair em férias.

"Tava só mais um. Por mais um, eu queria buscar um espaço onde eu tenha um mínimo de reconhecimento."

2025–presente · Brasil

AgoraGucci (Kering)

Volta ao luxo francês

CFO Brasil & Chile. Volta ao luxo corporativo, agora no Kering. Indústria nova (luxo de alto giro), grupo francês novo. O chefe que o contratou saiu pouco tempo depois da chegada — está navegando 2026 sem o patrocinador inicial. Aos 43 anos, oito anos mais velho que no México, tem clareza sobre o que mudar.

"É menos o conteúdo e talvez mais a forma agora que eu preciso adaptar."

/ Rotina

Um dia com Felippe

(01) ANTES DO REPORTE

Antes do reporte

Acordo cedo, antes da operação ligar. Leitura de notícia de setor (luxo + macro Brasil/Europa), café, alinhamento mental do que importa no dia. Bloco onde leio sem responder.

(02) REPORTE E KPIS

Reporte e KPIs

Bloco de fechamento financeiro — P&L, cash flow, balance sheet. FP&A regional. Reporte simultâneo para duas matrizes (Kering França + GM regional). Argumento com dado, sempre.

(03) VISITA DE LOJA

Visita de loja

Aplicação concreta da frase-âncora: 'visitando loja, perguntando tudo, fazendo tudo que eu quero como curioso, mas exatamente dentro de um cargo que exige responsabilidade.' Sai do escritório para entender o produto, não só o número.

(04) CROSS-CULTURAL CALL

Cross-cultural call

Síncrona com matriz francesa ou pares ibéricos. Três idiomas operacionais (português, inglês, espanhol) permitem reporting direto sem tradução; italiano e francês working como complemento para ler imprensa de setor europeia.

(05) FAMÍLIA COMO ÂNCORA

Família como âncora

Bloco não-negociável. 43 anos, filho em fase escolar, esposa. Aprendeu no México que 'gerenciar uma família sozinha' é variável dura — e que o tempo com ela não é pausa do trabalho, é variável de continuidade.

(06) RECOMPRESSÃO NOTURNA

Recompressão noturna

Leitura, conversa com a esposa, ou retomar planilhas calmamente. 'Em movimento aguenta; parado, decide.' À noite é onde o automático abre espaço para ver o que precisa virar próxima parada.

Valor inegociável

Reconhecimento como combustível operacional — não como vaidade. Sem feedback positivo do entorno, opera por automotivação interna — mas com prazo de validade.

A configuração ideal combina três variáveis: ambiente que recompensa pensamento estratégico (não só execução), patrocinador presente, e resultado mensurável que outras pessoas vêem. Quando os três se alinham (Danone Latam Controller, Sephora México, Gucci se o patrocínio se reconstituir), entrega no máximo. Quando faltam dois (Botmaker), aguenta mas drena.

"Tava só mais um. Por mais um, eu queria buscar um espaço onde eu tenha um mínimo de reconhecimento."

Pílula pós-I4 sobre a Botmaker — chave do salto para Gucci.

01

PALCO COM PATROCÍNIO Cada virada importante teve patrocinador — chefe direta na Sephora, CEO global na transição para Espanha, headhunter para entrar na LUSH→Sephora. 'Quando você tem alguém que te patrocina, isso muda um pouco a maneira com que você se relaciona com as pessoas.'

02

CONFRONTO COM LASTRO Não confronta com opinião — confronta com dado. Quando o presidente da Estée Lauder México insistiu que faltava SKU, voltou no fim de semana com fotos de todas as lojas. Argumento com lastro material, sempre.

03

VULNERABILIDADE-MÉTODO 'Perguntar tudo como curioso. Dentro de cargo que exige responsabilidade.' Admitir que não domina o setor e ganhar confiança pela exposição. Capability replicável entre indústrias — atravessou 4 sem perder fluência operacional.

04

TEMPO EM ONDAS CURTAS 'Tudo que é bom dura pouco, e tem uma recompensa para depois vir outra coisa.' Não acredita em permanência longa — acredita em recompensas sequenciais. Cada parada paga em capital, abre a próxima.

/ PROVENIÊNCIA

Como o portfólio foi construído

Este portfólio existe porque tudo nele foi construído a partir de material de origem rastreável. Cinco entrevistas ao vivo somadas a cinco rodadas de pílulas assíncronas geraram 25.026 palavras transcritas. Cada citação verbatim é rastreável até o extrato de origem; quando uma frase é leitura analítica, aparece sem aspas. Lacunas declaradas onde aplicável, sem fabricar citação.

5

Entrevistas ao vivo (4h03)

5

Rodadas de pílulas assíncronas

25.026

Palavras do talento (raw)

6.6×

Ratio de escuta